Ponto e vírgula: quando usar?

Certamente, a pontuação é motivo de dúvidas desde muito cedo em nossa vida escolar. Vírgula, ponto, interrogação, exclamação, etc. Difícil, muitas vezes, saber quando e como aplicar cada caso. Com o ponto e vírgula não é diferente. Na verdade, a tendência é que as dúvidas aumentem, já que ele parece ainda menos comum que os demais mencionados.

O grande problema reside no fato de que é preciso saber pontuar adequadamente um texto para se fazer entender e apresentar clareza naquilo que se deseja comunicar. Além disso, os testes seletivos estão aí para mostrar a importância de uma escrita adequada. Você sabia que os desvios na língua portuguesa estão entre os fatores que mais reprovam candidatos a estágios e outras funções no trabalho? Quando falamos em concursos, vestibulares e até mesmo Enem, isso não muda muito.

Dominar a pontuação é um grande passo para desenvolver uma boa escrita. Como você já deve saber, uma vírgula, por exemplo, pode mudar tudo. Vejamos a frase seguinte: “Não fique mais tempo!” Agora, façamos a leitura novamente, verificando o uso da vírgula: “Não, fique mais tempo!” Significados completamente diferentes, não é mesmo? Por isso, não dá mais para achar que pontuação é apenas um detalhe.

Se no seu dia a dia ou na internet vale tudo, saiba que há situações específicas de uso da língua em que as coisas não funcionam exatamente assim. Não é porque você entende que está tudo bem em não usar um ponto final ou uma interrogação que ambos não sejam necessários. Seu leitor não é obrigado a entender que uma pergunta está sendo feita se você não lança mão do último recurso citado. Além disso, não é ele que tem de se esforçar para entender o que você quis dizer, é você que precisa ser mais claro, já que a comunicação está partindo do seu próprio texto.

Agora que nós refletimos juntos sobre a importância de se pontuar um texto de forma correta, vamos observar o ponto e vírgula. Como muitos gramáticos afirmam, ele é usado quando há necessidade de uma pausa maior que a vírgula e menor que o ponto final. Usá-lo ajuda a organizar um texto. Mas de que modo isso funciona na prática? Vejamos a seguir.

Itens em enumeração

É o uso mais comum desse sinal de pontuação. Quando precisamos enumerar certos itens dentro de uma relação, costumamos recorrer a ele.

“Você vai precisar dos seguintes materiais:

cola;

tesoura;

papel colorido.”

Não podemos nos esquecer de que, nesse tipo de enumeração, o último item elencado será acompanhado de ponto final.

Orações coordenadas

Normalmente, o ponto e vírgula aparece em orações mais extensas. É uma forma de organizá-las e deixar as informações claras para o leitor. Pode aparecer em períodos compostos por coordenação, nos quais as orações possuem relação de independência sintática.

“Eu queria ir ao parque; meu irmão, ao cinema; a namorada dele, ao shopping.”

O uso do ponto e vírgula poupou a oração da repetição do verbo querer e deixou subentendida a ideia de que todos os envolvidos no período desejavam alguma coisa. As conjunções também não precisaram ser usadas, pois a pontuação não tornou isso necessário. 

Com as conjunções adversativas

O ponto e vírgula pode ser usado para representar uma pausa mais longa diante de conjunções adversativas, aquelas que introduzem uma oração que apresenta relação de oposição quanto à oração anterior.

“Marta se dedicou aos estudos de literatura durante dez meses; porém, não obteve sucesso no processo seletivo.”

Orações coordenadas sindéticas

Nesse caso, o ponto e vírgula aparece para separar as orações quando o verbo se posiciona antes da conjunção.

“Dedicava-se muito aos estudos; não entendia, portanto, seu baixo desempenho nas avaliações.”

Uma pergunta muito comum: depois do ponto e vírgula, devemos usar letra maiúscula ou minúscula? A resposta é minúscula. Como o ponto e vírgula separa orações, não períodos, não há motivo para o uso de letra maiúscula na informação que aparece a seguir. O que indica o final do período é o ponto final, assim como a interrogação e a exclamação.

Outra dúvida ocorre diante da necessidade de perceber quando, no lugar do ponto e vírgula, podemos usar simplesmente a vírgula. Ela, obviamente, é muito mais usual e representa intervalos menores dentro das orações, o que confere certo ritmo na hora da leitura. A vírgula não tem a característica complementar do ponto e vírgula. Você pode, por exemplo, usá-las com itens enumerados não listados. Exemplo: “Fui ao shopping e comprei bolsas, sapatos e calças.” Obviamente, conhecer as regras de uso da vírgula é fundamental para diferenciá-las do ponto e vírgula com mais precisão.

Agora, você já pode aplicar esse recurso nas suas produções escritas sem medo de errar.

Abraços e bons estudos!

Guia completo de redação: tudo que você precisa saber para escrever bem

Certamente, escrever está entre as atividades que mais provocam aflição entre os falantes da língua portuguesa. Isso ocorre por vários motivos, dentre eles o fato de que, na escola, muitas vezes, não lhes foram dados os mecanismos necessários para compreender o que significa realmente escrever um texto. Na atualidade, muitas melhoras podem ser observadas nesse quesito, mas, vez ou outra, ainda nos deparamos com aquelas redações mecânicas sobre as férias, por exemplo.

Hoje, eu quero contribuir com dicas que vão ajudar você a produzir uma ótima redação, mas devo lembrar que tudo demanda vontade e esforço. Algo que sempre digo aqui é que não existem fórmulas prontas, porque realmente não existem. Escrita é sinônimo de trabalho. Se você está no grupo daqueles que pensam que basta escrever uma vez e abordar um assunto superficialmente ou é adepto da famosa atividade de “encher linguiça”, é melhor começar a rever seus conceitos agora mesmo.

Primeiramente, é importante compreendermos o que significa escrever bem. Muita gente ainda acredita que isso tem a ver com o domínio de regras gramaticais. Na verdade, um texto pode estar bem construído gramaticalmente e não apresentar informações coerentes. Isso seria escrever bem? Com certeza, não. Precisamos nos preocupar com o todo, produzir um bom texto vai além de pensar a gramática.

Agora, acompanhe as dicas a seguir porque elas vão levar você a outro patamar de escrita. Seguindo estes conselhos com esforço e dedicação, não tem como não produzir um texto de fazer inveja a qualquer sujeito experiente no assunto. Vem comigo!

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Frase, oração e período: aprenda a diferença de uma vez

Em algum momento, na sua vida de estudante ou curioso acerca de uma língua, você já deve ter percebido que nem tudo que é simples para você é simples para o outro e vice-versa. Muitas vezes, estamos tão habituados à complexidade dos conteúdos que estudamos que o conceito mais simples se perde em nossas leituras e precisamos retomá-los com atenção para que nossa memória possa alcançá-los.

Hoje vou abordar um desses conteúdos. Quando estudamos sintaxe, dedicamos boa parte do nosso tempo à análise de orações coordenadas, subordinadas, adjuntos, complementos. Você sabia, contudo, que recebo muitas perguntas de alunos acerca dos conceitos de frase, oração e período? É isso mesmo! Alguns podem considerá-los bastante básicos, mas eles ainda geram muitas dúvidas, o que é absolutamente normal se pensarmos que usamos grande parte do nosso cronograma organizando o que há de mais complexo para estudar. A questão é que compreender o que é exatamente uma frase, uma oração e um período é fundamental para seguir adiante em análise sintática.

Vamos analisar cada um desses elementos de maneira bastante direta e fácil, de modo que você compreenda de uma vez por todas a diferença entre eles e, melhor ainda, nunca mais esqueça esse conteúdo básico e primordial em seus estudos.

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Variação Linguística – Revisão Enem com Prof. Noslen

Pode parecer algo simples, mas reconhecer que toda língua é dinâmica e mutável é o primeiro passo para compreendermos a variação linguística, e eu explico por quê.

A língua é nosso instrumento de comunicação e, por ser um organismo vivo, é sensível a variados fatores que compõem o contexto em que ela está inserida. Mesmo dentro de um país que tenha um único idioma oficial, por exemplo, ela se adapta e sofre uma série de modificações, ganhando diferentes características e nuances.

Para ilustrar, é só pensarmos no caso do Brasil. A língua portuguesa é o idioma que nos une, mas o português falado no Norte é muito diferente daquele falado no Sul, não é mesmo?

A variação linguística se refere justamente a esse movimento natural da língua, ou seja, à sua capacidade de adaptar-se ao longo do tempo e de acordo com suas situações de uso, podendo sofrer alterações no vocabulário, na pronúncia, na sintaxe, na morfologia, etc.

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Funções da Linguagem – Revisão Enem com Prof. Noslen

Conteúdo certo no Enem, as funções da linguagem se referem às diferentes maneiras de que um indivíduo dispõe para se expressar. A escolha por uma ou outra dessas formas vai depender do objetivo de comunicação, da mensagem a ser transmitida e, ainda, do contexto em que o ato comunicativo ocorre.

Calma! Esse parece ser um assunto complexo, mas não é. As funções da linguagem têm relação direta com o modelo elaborado pelo linguista Roman Jakobson, segundo o qual seis elementos são imprescindíveis para que haja comunicação.

  1. Emissor: é o locutor, aquele que produz e emite a mensagem.
  2. Receptor: é o destinatário, o interlocutor, aquele que recebe a mensagem.
  3. Mensagem: é o que está sendo transmitido, a informação propriamente dita.
  4. Canal de comunicação: é o meio pelo qual a comunicação é estabelecida e a mensagem, transmitida.
  5. Código: é o conjunto de signos e de sinais empregados para elaborar e transmitir a mensagem (por exemplo, a língua portuguesa).
  6. Contexto (ou referente): é a situação comunicativa da qual emissor e receptor fazem parte.

Quando nos comunicamos, sempre temos uma intenção, não é mesmo? Então, para cumpri-la, precisamos dar ênfase a um desses elementos, o que, por consequência, determina uma função da linguagem. Assim, da mesma forma que temos seis elementos da comunicação, temos seis funções da linguagem. Vamos a elas?

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